L'INCS #5



               
               





Michelle Sena



Está no ar o L’Incs #5 – Boletim da XXI Jornada EBP-MG!


A pergunta que orienta o nosso trabalho deste ano – “O inconsciente e a diferença sexual: o que há de novo?” – continua a ressoar...


‘O que há de novo’? A partir das junções e disjunções entre sujeito e corpo, quais soluções os seres falantes inventam? No texto Pabllo Vittar, um corpo e suas faces, Lisley Braun Toniolo percorre o contexto da presença das drags na cultura e a história de Pabllo, destacando que “a sexualidade está aí, no encontro do corpo com a linguagem”.


Na seção ‘Textos de orientação’, contamos com os trabalhos apresentados no 4º seminário preparatório por Fernanda Costa - O falo, uma falácia - e Sérgio Laia - Meninas e Meninos não são (ainda) homens e mulheres. Orientados pela frase lacaniana “..o único real que verifica o que quer que seja é o falo", Fernanda e Sérgio abordam as modificações do lugar do significante fálico na contemporaneidade e seus efeitos com relação à diferença sexual e ao inconsciente. Como o falo, esse parasita, continua a incidir mesmo tendo perdido a sua potência? 
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Pabllo Vittar, um corpo e suas faces

Lisley Braun Toniolo

Pabllo Vittar é o nome que o maranhense Phabullo Rodrigues da Silva se deu no despontar de sua carreira como cantor e compositor. Aos 13 anos, ainda no Maranhão, servia-se dos cultos na igreja e das festas de aniversário da família para cantar, algo que sempre o capturou. Aos 15 já cantava na noite maranhense, passando a transitar com “roupas de mulher”, identificando-se inclusive para sua mãe e irmã como um “menino homossexual”.

Foi morando em Uberlândia que se vestiu como uma drag pela primeira vez,  aos 17 anos, no intuito de divulgar a festa de uma amiga na porta de uma boate. Em terras mineiras, a partir de seus 18 anos, Phabullo passa a se montar como drag para cantar em seus shows, iniciando também uma série de concursos de beleza na área, o que culminou em alguns prêmios.

Com o sucesso batendo à porta, Phabullo, agora Pabllo Vittar, abandona a faculdade de Design de Interiores na Universidade Federal de Uberlândia para viver sua carreira musical. Em 2017 Pabllo atinge sucesso internacional e se tornou a drag queen mais ouvida no Spotify recentemente. 
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A MULHER FACE AO ESPELHO: NOVAS VIRILIDADES*



Maria Josefina Fuentes - EBP/AMP

Conversação do VII ENAPOL

Relatora: Maria Josefina Fuentes

Participantes: Graciela Bessa, Jésus Santiago, Lucila M. Darrigo,

Maria Inês Lamy, Teresinha Meirelles do Prado





A virilidade norme-mâle na mulher

Na década de 30, o tema da sexualidade feminina girou em torno da questão se a identificação masculina da menina ao pai seria um obstáculo ou daria acesso à feminilidade. Enquanto Karen Horney e Ernest Jones defendiam uma identificação feminina que repousaria na vinculação inata e direta à mãe, em relação à qual a masculinidade seria uma defesa, Freud e algumas analistas como Hélène Deutsch, insistiam na primazia fálica como a normalidade para ambos os sexos – a norme-mâle, segundo o Witz de Lacan[1] que evoca o normal (normal) e a norme mâle (norma masculina). Apesar das críticas feministas, Freud foi irredutível em relação à tese do falocentrismo no inconsciente que reconhece apenas um significante, o falo, para designar a dissimetria dos sexos, sendo que uma identificação própria à mulher é o que permanece ausente. 
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Meninos e meninas não são (ainda) homens e mulheres
Sérgio Laia*


Link para o texto completo: https://www.encontrobrasileiro2016.org/sergiolaia





O falo, uma falácia1
Fernanda Costa2



A queda do viril e o desprezo do falo



Lacan (1956-57/1995) também era atento às modas no campo da sexualidade. Em meados de 1957, no Seminário: a relação de Objeto, ele comenta que, do ponto de vista sexual, Hans se mantém em uma posição apassivada. Por isso, embora houvesse certa legalidade heterossexual da escolha de objeto, Lacan questiona sua legitimidade, por Hans não ocupar essa posição de forma viril (Miller, 1995/2017). Estilo de abordagem sexual, que Lacan (1956-57/1995) sugere estar bastante difundida em 1957, a ponto de afirmar que observa “profundas mudanças nas relações entre o homem e a mulher” (p. 432). Nesse contexto, ele cita as elaborações do filósofo Alexandre Kojève em O último mundo novo.

Kojève (1956) afirma que o “mundo novo” surge após Napoleão e a instituição da República. Com o fim das grandes guerras e grandes revoluções, um heroísmo político, militar ou social não é mais possível. Concomitante ao desaparecimento dos heróis, o filósofo observa, a partir dos romances de Françoise Sagan, o desaparecimento do homem viril e uma relevante transformação no campo da sexualidade. 
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HOSPEDAGEM

RESTAURANTES

PONTOS TURÍSTICOS

CIRCUITO CULTURAL PRAÇA DA LIBERDADE



 




Conexões e Consultório de Rua da PBH: um encontro preparatório
Cristiane Barreto



Um título tenta dizer da construção instigante e bonita do trabalho que a equipe do Consultório de Rua da Prefeitura de Belo Horizonte sustenta, recolhendo restos e falas que configuram um mosaico de fazer política do um a um: “Se esta rua fosse minha: Fragmentos”.

Os profissionais do Consultório de Rua: Daniela Ramos Garcia, artista plástica e arte educadora-, Flávio Ricardo – redutor de danos, e Júnia Vanessa Costa– enfermeira, que iniciou recentemente sua formação em psicanálise (participante do Núcleo de Psicanálise e Medicina do IPSM-MG)-, escolheram dois casos paradigmáticos da aridez dos sintomas e enigmas da sexualidade presentes nas parcerias que se formam nas ruas. Graves e agudos, dos ruidosos tempos de sobreviver a um estilo de vida que empurra ao pior. 




CASO JOSÉ: EFEITOS EM UMA COMUNIDADE DE TRABALHO

Juliana Motta e Henri Kaufmanner
Com a colaboração de Mynéia Campos

Em 18/09/17 aconteceu na Sessão Clínica do Instituto Raul Soares em articulação com a Comissão Conexões da XIX Jornada da EBP-MG, a discussão de um caso que tem colocado as equipes técnicas do hospital a se interrogarem frente ao real bruto advindo das passagens ao ato do paciente na instituição. Interrogações que ao mesmo tempo que se localizam em pontos diagnósticos e de manejos terapêuticos oscilam em julgamentos morais e condutas contensoras violentas, onde a operação da palavra frente ao sujeito, tem sido rechaçada, opacizando e inflando situações imaginárias – produzindo temor e silêncio.

Frente ao impasse que os efeitos dos atos do paciente vêm causando no espaço institucional, decidimos que o caso José deveria ser trabalhado semanalmente em reuniões, conversações e supervisão para que fosse possível uma operação de esvaziamento deste imaginário e chegássemos a um ponto onde o sujeito apresentado por José em seu discurso pudesse ser escutado. Momento de a instituição silenciar e o paciente falar. Nada mais oportuno que a atividade ofertada pela Comissão Conexões se apresentasse a nós em uma posição extima na instituição representada por Cristiane Barreto para nos pontuar clinicamente a lógica do caso, como esse sujeito frente à convocação de ser A MULHER. Ao tentar fazer um homem irrompe, sem mediações discursivas, agressividade.







           

Resenha do filme O casamento de Rachel: O declínio do pai e o gozo do corpo.
          Cláudia Generoso


        No dia 04 de agosto de 2017 foi exibido mais um filme da série “ Cinema & Psicanálise”, dando continuidade à parceria entre a EBP/MG e a Fundação Clóvis Salgado. O filme “O casamento de Rachel”, do cineasta norte-americano Jonathan Demme, foi comentado por Lilany Pacheco, diretora da Seção Clínica e coordenadora do Núcleo de Toxicomania da EBP-MG, em uma sessão com lotação completa de público.

         Lançado em 2008, o filme traz uma sensível trama familiar regada por conversas, conflitos e boa música.  Trama que se desenrola em apenas um final de semana durante as comemorações do casamento de Rachel (Rosemarie DeWitt), irmã da perturbadora Kym (Anne Hathaway), uma jovem que enfrenta problemas com o uso de drogas desde a adolescência. Após vários meses de internação em uma clínica de desintoxicação, a jovem é liberada para passar o fim de semana com a família para participar do casamento em que será madrinha da noiva, vivenciando momentos reveladores de conflitos pessoais e familiares.

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5º Seminário Preparatório

28 de setembro

20:30-22:00


EIXO 05: “O ser sexuado só se autoriza de si mesmo e, eu agregaria, e por alguns outros” (Lacan, Seminário 21, aula 09 de abril de 1974).


Comentam: Ana Lydia Santiago e Bernardo Micherif


Coordena: Antônio Beneti