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sábado, 14 de outubro de 2017

L'INCS #6 - 5.O QUE SE ESCREVE

Pedro Moraleida (1977 – 1999): O ser humano enquanto metáfora, s/d.







As identidades, uma política, a identificação, um processo e a identidade, um sintoma


Por Marie-Hélène Brousse





O século XX viu crescer um movimento de reivindicação que tinha suas raízes no que chamarei a revolução universalista: o feminismo. O século XXI vê o desdobramento de um novo movimento de reivindicação que mobiliza outro significante, um significante novo: o gênero. O termo não é novo. Pertence à língua desde a antiguidade e designa a classificação de conjuntos relacionados por algumas similitudes. Quase universalmente presente na gramática das línguas – masculino, feminino ou neutro – associado ao nome, inscreve a marca da diferença sexuada no funcionamento das línguas chamadas naturais. Se o termo, polissêmico, é antigo, o uso que se faz atualmente do mesmo e os estudos que o promovem não os são.

Conseguiu impor-se e reorganizar o conjunto dos discursos. Este potencial obriga, com efeito, levá-lo em conta de maneiras muito diferentes e inclusive antagonistas. Está ligado a outros dois significantes de crescente importância no discurso: identidade e minoria.


Identidade e gênero: algumas referências

Sou psicanalista e, portanto, abordarei o gênero e a identidade a partir desta disciplina. Algumas referências são necessárias. A primeira concerne à linguagem. Nossa matéria, essa com a qual operamos, é a linguagem, - e Lacan a põe em evidência de maneira retroativa em sua leitura de Freud - a língua falada de todos os dias, a linguagem corrente em sua materialidade, o som. Porém, essa linguagem está moldada por um discurso que Lacan formalizou, o discurso do mestre. O inconsciente, tal como se manifesta na análise, é seu oposto. A psicanálise não é uma ciência das profundezas da psique, é uma disciplina do que retorna. A cadeia da palavra do analisante, tomada na estrutura do discurso do mestre, segundo uma topologia de banda de Moebius, dá a volta. Como as línguas naturais, os discursos se transformam e os significantes-mestres que orientam os efeitos de sentido, de sentido comum, surgem e declinam. O gênero substituiu o sexo como significante mestre (Sexe/Gender). Esta substituição tem, evidentemente, implicações e consequências.

Os discursos de gênero têm sido introduzidos majoritariamente pela língua inglesa e têm conhecido primeiro um êxito crescente nos USA. Os assuntos da vida sexual sempre tiveram nos USA, assim como no Reino Unido, uma incidência política mais forte que na França. Sem dúvida as raízes puritanas e protestantes presentes no discurso em língua inglesa têm efeitos diferentes dos engendrados pelo catolicismo. A dificuldade para traduzir nesta língua, de maneira adequada, o termo lacaniano de Gozo, é prova disso. O termo gênero evita o equívoco sempre presente no sexo que, masculino ou feminino, assegura uma função classificatória e, indissociável de Eros, tem sempre um valor erótico na língua. Além disso, o termo gênero sai do binário construído com a reprodução para introduzir um terceiro termo, o neutro. Poderia sustentar cada uma dessas afirmações em elementos da psicopatologia da vida cotidiana: utilização de banheiros públicos, reivindicação de neutralidade sexual escutada há três anos ao vivo em um evento paralelo sobre The Empowerment of Women na ONU, na entrevista com o professor Jack Habelstram do departamento da American Studies and Ethnicity, Gender Studies and Comparative Literature de la Universidade do Sul da Califórnia, especialista em estudos Queer. O enunciado da disciplina, sem dúvida bastante complicado, que acabo de citar por inteiro, mostra que o significante “gênero” está em correlação com o de “etnia” e o de “minorias” e o “Queer”. Esta entrevista está publicada no nº 2 de The Lacanian Review, “Sex all over the palce”, título dado por outra universitária estadunidense, Joan Copjec, muito conhecida por ter introduzido e publicado Lacan nos USA – particularmente Televisão – na revista que ela dirigia então, October. Se o gênero já não determina o sexo na suposta diferença, reduzida à anatomia, entre homem e mulher, surgem então duas perguntas:

O gênero substitui a identidade sexual? Onde se muda a função erótica que os “sexos masculino ou feminino” situavam, ou pretendiam situar, a serviço dos sistemas de parentesco, sob o controle da anatomia? Resposta: ”all over the place”.


Uma modificação histórica do discurso

A psicanalista que sou aborda os debates e enfrentamentos atuais sobre gênero e identidade de uma maneira não polêmica. A psicanálise sabe do poder dos significantes mestres sobre os parlêtres, porém sabe também que este poder se baseia em dois elementos: o poder dos semblantes em geral e as condições para que um significante, sempre vinculado a uma época, possa, mais além de seu surgimento forçosamente minoritário, impor-se majoritariamente como dominante. A partir desse lugar tem, então, função de verdade. Um estudo crítico da identidade e do gênero é a ocasião para a psicanálise, não somente para continuar elaborando a noção do discurso do mestre, mas também para estudar – em tempo real – sua modificação histórica em seu percurso pelas ocorrências da palavra dos analisantes. É um dos modos de desdobrar a psicanálise de orientação lacaniana em suas últimas inovações. Assinalo assim, o estudo que Jacques-Alain Miller fez do ultimíssimo Lacan extraindo uma modificação do discurso e da prática analítica sobrevinda neste último período de seu ensino: o acréscimo ao inconsciente freudiano, obtido por decifrado e transferência, de outro inconsciente nomeado como inconsciente real. É mais acertado dizer que ao inconsciente transferencial se acrescenta o inconsciente real, segundo a topologia posta em evidência do laço entre sexualidade fálica e sexualidade não-toda fálica. O inconsciente real não está fora do valor fálico, porém não está completamente regido pela metáfora. O sujeito do inconsciente não é o único objeto em jogo na análise. O corpo falante também joga a partida.


Pluralização da noção de identidade e fim da ideia de unidade unificadora

Estabeleçamos de entrada que o “gênero” designa uma das formas compreendidas na identidade. De fato, este outro termo também está em voga. Se digo “uma das formas”, implica uma pluralização da noção de identidade: identidade sexual ou assexuada, porém também nacional, grupal, ética, racial, religiosa, espiritual, econômica, política, etc. Esta pluralidade, que as ocorrências do discurso do mestre atual faz patente, paradoxalmente é o contraponto de uma concepção da identidade que caracteriza um indivíduo em sua singularidade e em sua totalidade: uma identidade ideal, minha identidade, o que sou, totalmente e em todo tempo e lugar; é pois, uma identidade unificadora ou inclusive, como a orientação fenomenológica o desenvolveu, uma unidade intencional. Em sua intervenção em um colóquio na Universidade John Hopkins em Baltimore, em 1966, Lacan fala nesses termos: “Os grandes psicólogos e, inclusive os psicanalistas, estão imbuídos da ideia de personalidade total. Em todos os casos trata-se da unidade unificadora que é posta em primeiro plano. Nunca o compreendi, porque se sou psicanalista, não por isso sou menos homem, e enquanto tal, minha experiência me provou que a principal característica de minha vida de humano... é que a vida é algo que, como dizemos em francês, vai à deriva... A ideia da unidade unificadora da condição humana sempre me fez o efeito de uma mentira escandalosa”. À deriva de que? À deriva dos significantes, para começar.

É o que demonstra esta explosão do termo identidade e sua pluralização consequente. Além disso, desde Freud, a divisão subjetiva, correlativa à introdução da hipótese do inconsciente e sua verificação pelas manifestações que o produzem, opõe-se a esta identidade enquanto unidade unificadora. Podemos então acolher a elevação da identidade e do gênero ao nível de significantes mestres, em discursos com uma enunciação reivindicativa ou angustiada, como a demonstração do que a psicanálise afirma sobre o sistema psíquico desde os primeiros trabalhos da disciplina e que até agora só a prática analítica verificava.  Contudo, está o eu e a cognição, objetos de sua disciplina que vão de vento em popa, inclusive seu campo é difícil de definir, entre o cérebro e a lógica. O eu, no ponto de vista da análise, tampouco pode pretender a unidade, já que ele também consiste em “pensamentos com palavras” que escapam ao controle, mas não ao mal-entendido. Quer dizer que não há unidade? Certamente não, mas é certo que não há que esperar nenhuma unificação por esse lado.

É algo estabelecido desde a formulação do cogito nas Meditações, do qual Lacan diz que a base epistemológica que constitui para a ciência é uma das condições de possibilidades da psicanálise. “Eu sou” é válido no instante de sua enunciação.

De onde vem, que funcionemos como parlêtres com a evidência de que somos sujeitos, desde sempre, sujeitos à dúvida, à incerteza ou à crença, e não obstante mais ou menos unificados e tanto mais assertivos quanto menos seguros? É aí onde a psicanálise pode dar uma virada neste conceito mostrando que a identidade não está aí onde ela se pensa.


A identidade é de papel

No curso, essencial, do ano de 2006-2007, Jacques-Alain Miller esclarece uma solução de continuidade crucial no ensino de Lacan. Isto não quer dizer uma anulação ou um repúdio do ensino anterior, mas sim, uma mudança de acento e inclusive de dimensão. No curso de 17/01/07 faz um desenvolvimento da noção de identidade que voltará a trabalhar nos cursos de 14/03/07 e de 30/05/07 a partir de mecanismos de identificação. “Esta prioridade do Outro está marcada no mais profundo da identidade do sujeito, a constitui. Podemos, inclusive, dizer que Lacan se esforça em pôr unilateralmente do lado do Outro tudo o que é para o sujeito constituinte”. A dimensão do imaginário por onde começou seu trabalho inovador de leitura de Freud “dá à imagem virtudes simbólicas” e o desenvolvimento da dimensão do simbólico, a partir do inconsciente estruturado como uma linguagem, o reforça definitivamente. A identidade está do lado do Outro, tanto das imagens rainhas como dos significantes mestres, não lado do sujeito, efeito de linguagem. Escutava dois analisantes: um falava de um sonho, o outro de uma lembrança de sua chegada à França onde depois fez sua vida, sendo hoje cidadão deste país.

Nas formações do inconsciente, estava em primeiro plano a identidade sob a forma de “documentos de identidade” – carteira de identidade, cartão de seguro social, cartão de crédito ou também passaporte do país de origem – que um ato falho lhe havia feito esquecer, no dia de sua chegada, com sua carteira no teto de um taxi no momento de pagar a corrida. A identidade do sujeito são os documentos emitidos pelo Outro. Outra referência clínica: minha entrada nos USA e o documento da imigração.

Isto me leva a fazer uma precisão. Em uma entrevista, uma paciente hospitalizada depois de uma tentativa de suicídio, desorientada, e que não sabia mais quem era nem o que queria, evoca um momento de sua vida, a melhor época de sua existência. Quando lhe pedi que me explicasse, respondeu: “eu lhe disse, trabalhava em um bar como ‘garota alegre’ (fille de joie) então estava alegre (joyeuse)”.

A identidade era sólida. Por que? Porque não havia metáfora. Porque “garota alegre” é alegria (“fille de joie” é “joie”). Este elemento clínico mostra ao contrário, que o Outro estabelecido por Lacan funciona a partir da articulação mínima de S1 com um S2, permitindo a substituição de S2 a S1, de S3 a S2, etc. Em cada substituição se produz um efeito de sentido que é essa deriva da qual fala Lacan em Baltimore. De tal maneira que a identidade, salvo efeitos de sentido estrito ou de capitón, escapa e foge do sentido que faz às vezes, em geral, de realidade.

A identidade, e o gênero como identidade sexual, são do Outro e estão no Outro. Não se deriva daí nenhuma unidade, nenhuma unificação, tampouco. O que é novo hoje é que tem aparecido receitas alternativas às que estavam em jogo no laço social. Isto é tudo e muito. O avanço das identidades e do gênero, que aspiram ao estatuto de significantes mestres no discurso contemporâneo, é a consequência da perda de hegemonia do discurso do mestre em vigor nas sociedades tradicionais, situadas sob a dependência do nome do Pai, semblante que tinha uma função de poder. A ciência e suas técnicas, todavia, não transformaram a reprodução humana. O nome do pai permitia definir o masculino e o feminino pela reprodução da espécie no seio do sistema de parentesco, a identidade sexual era definida pelo binário presente tanto no imaginário como no simbólico. Já não é assim, porém a multiplicidade das identidades não modifica em nada seu modo de funcionamento. Ainda estão no Outro e tentam propor novos modos de emprego do laço social. É demonstrado pelo julgamento que Jaime Shupe ganhou em Oregon, a que um juiz acaba de autorizar a converter-se na “primeira pessoa legalmente não binária”. Declarou: “I am not male, I am not female”, “Não sou um macho, não sou numa fêmea” e é fotografado com sua esposa depois de sua vitória jurídica (1). Nega-se a ser representado por um significante para outro significante: nem S1, nem S2. Não é transgender. Nega-se porque crê nisso, o gender, tentativa de reduzir o sexo ao significante e à função de semblante.

É aí onde se capta uma tendência que está produzindo uma modificação do Outro ou no Outro. Lacan em uma conhecida nota a um Congresso da Escola Freudiana em 1968, fala do “vestígio, a cicatriz da evaporação do pai”. Há dois pontos nesta fórmula: o pai se evapora, seu domínio vai declinando. Mas, também, posto que o pai está ligado à formula da metáfora, substituição que produz o sentido, a metáfora perde potência no discurso e com ela o semblante. Numerosos analistas das modalidades do discurso nas últimas eleições nos USA, destacaram a desconexão entre o discurso e os fatos, os quais, como demonstra Jacques-Alain Miller no curso de 2006-2007 ao que me refiro, estão no primeiro nível da interpretação. Está se produzindo um corte radical entre o discurso e a interpretação, efeito do triunfo da significação sobre o sentido    e, portanto, do real do discurso sobre a realidade. O real se emancipa “dos emaranhados do verdadeiro” e “é o que permanece ao excluir o sentido”. 


Em psicanálise, identificação ao invés de identidade

Freud situava em Psicologia de massa e Análise do eu, três níveis de identificação. Os três faziam do Outro o principal ativo da identidade. O primeiro mecanismo deste processo de identificação é ao pai pelo amor, estabilizando a realidade. O segundo processo está definido por Freud a partir da histeria, sabemos de seu laço de discurso com a psicanálise. Jacques-Alain Miller propõe chamá-lo, e é extremamente esclarecedor, identificação participativa a um outro enquanto que este outro, este semelhante, falta. A terceira é a identificação ao traço unário, não importa qual, contando que esteja no Outro, que Jacques-Alain Miller define como a identificação a um traço qualquer, aleatório, poderíamos dizer: Pai, S barrado, Sq.

Agora, o último ensino de Lacan modificou a situação dos mecanismos de identificação. Já não se trata dos modos de identificação do sujeito enquanto que representado por um significante para outro significante, nem do laço S1-S2. A linguagem e o discurso seguem tendo a prioridade, porém o sujeito, categoria simbólica, dá lugar ao parlêtre ou ser falante. Daí deriva outro processo de identificação que surge não do Outro, mas de Um-Corpo (Un-Corps), como o demonstra Jacques-Alain Miller. Evidentemente, isto conduz ao tema do ego, em torno do qual Lacan faz girar seu estudo de Joyce e do qual depreende seu ultimíssimo ensino.

Então encontramos em um primeiro plano não tanto a noção de identificação, mas a “de pertencimento, de propriedade”. Pela via do sentido, incluído o da bela forma, o Outro apenas dá, pelos processos de identificação, falta-a-ser, enquanto que Um-Corpo (Un Corps) não se captura mais que por sua consistência. No lugar do amor pelo Outro, o pai vem à adoração do corpo, mistura de imaginário e de real, Um-Corpo (Un Corps) produto do Um que escapa à tenacidade da metáfora e do Corpo. Todavia, Lacan já havia construído uma teoria do narcisismo despojada das vertigens do imaginário em proveito do real do vestígio. O passo seguinte consiste em definir o corpo, não pela sua imagem e como consequência, o sentido, mas como corpo gozante organizado pelos orifícios corporais que Freud já havia destacado na correspondência com as pulsões. Esses buracos emitem sentido enquanto provém das experiências de gozo e depois o aspiram, uma vez que o gozo está fora de sentido. Localizados em Um-Corpo, funcionam como marcadores, espécie de escritura indecifrável, porém inscrita.


Desidentificação: a volta da identidade

Um passo adiante foi dado por Jacques-Alain Miller em 14/03/07 em sua leitura do seminário seguinte ao 24. Irei à essência da fórmula e a radicalizarei. A identificação ainda está no Outro e é um processo essencial. Porém, o Outro não dá uma identidade única, mas dá ao menos duas. O Outro é a condição da constituição de nosso marco, nosso acesso à realidade, fundada na falta. Ele empresta os significantes que desfilam nas identidades de papel que se atropelam, se contradizem e que em uma análise caem como pele morta.

A única identidade que se sustenta, que tenha uma consistência é o que Jacque-Alain Miller propõe chamar a identidade symptomale, que não é do sujeito, mas do Uno, Um sozinho, do corpo do qual não podemos escapar, de seus buracos, que a contingência dos significantes pôs para funcionar em experiências únicas próprias de cada um, experiências “triviais e sem igual”.

É o sentido da expressão de Lacan “identificar-se a seu sintoma”. Como se produz em análise este processo? Por extração e redução. Trata-se de desprender-se do Outro, ficando ali, posto que não há outro do Outro, trata-se de extrair dessas experiências as marcas indeléveis que nos deixaram e de alcançar, por redução, o modo de gozo sintomático do sujeito. Extração dos momentos em que um dizer marcou esse Um-Corpo, redução dos enunciados, desvelamento da enunciação, são as condições para formular uma identidade a partir do sintoma, que não por ser fruto do azar, não deixa de ser a única garantia de unidade. Uma vez posta em evidência como significação fora de sentido, todos os impedimentos, os enredos que produzia e que estavam feitos de sentido, caem. De alguma maneira, positivar o sintoma, ao preço da queda do sentido e da interpretação.



1. Le monde, sábado 11 de junho de 2016.



Tradução: Kátia Mariás
Revisão: Miguel Antunes






Nenhuma Mulher no século 21 (No Women in the 21st Century)



Por Natalie Wülfing







O que são mulheres no século 21?

Podemos mesmo dizer “mulheres”? É possível usar este substantivo no plural ou ele está ficando sem sentido? Estas questões sempre me intrigaram. Se o conjunto “mulher” não é um conjunto fechado, mas um conjunto aberto, isso significa que há um número infinito de maneiras de ser uma mulher. Nenhuma mulher é como a outra. Neste caso deve haver apenas exemplos singulares de mulher, tal como a clínica revela. Isso coloca, então, a questão do paradigma para mim, o principal exemplo que traz algo de um molde para similaridades. Um paradigma, por definição, generaliza o que é diferente para cada um e devemos ter isso em mente quando usamos o plural “mulheres”. Eu chegarei a este ponto mais adiante.

A palestra do Pierre-Gilles Gueguen, no mês passado, sobre as tábuas da sexuação e a subversão da lógica aristotélica, mostrou-nos o que a própria subversão acrescenta aos limites da lógica em jogo na tábua: quando há um conjunto fechado, há também uma exceção. A função fálica dita a existência de uma exceção que organiza o conjunto. No lado masculino, todos dizem “sim” à função fálica. Acontece que tal totalidade de conjunto não existe. Nenhum conjunto é completo, nenhuma exceção realmente existe e nenhum enunciado universal é possível. Em seguida, no lado feminino, temos a dupla negativa. Nenhuma mulher diz não à função fálica, mas alguma parte (nela), sim, diz “não” à função fálica – que é seu gozo feminino. Esta “alguma parte dela” a faz singular e apenas apreensível uma a uma. Nenhuma mulher é como a outra, mas isso se refere a seu gozo singular, isso não se refere ao que, dela, diz “sim” à função fálica. Nathalie Charraud1 esclarece o não-todo dizendo que em cada mulher que há uma recusa a reconhecer a exceção em qualquer outra, portanto nenhuma totalidade pode ser formada, delas, como conjunto. Assim, um todo só é possível quando um ponto de exceção é conhecido por todos, e isso nunca acontece.

Do ponto de vista da matemática pura ou da pura lógica, esta é uma ideia muito difícil de se seguir, e eu não vou tentar fazer isto, mas as questões que são abertas neste sentido dizem respeito ao valor do significante “mulher” como tal. Sabemos com Lacan, e Pierre-Gilles Gueguen deixou isso bem claro em seu artigo, que não podemos falar de “A” mulher como um todo, como uma totalidade. A mulher não existe, da mesma forma que o Outro não existe, mas isso não significa que tentativas de fazê-la existir não sejam feitas.

Se não podemos falar da totalidade da mulher, podemos falar de uma mulher, uma em particular? Isso também não está tão evidente. Nós só podemos falar de gozo feminino como aquilo que é diferente para cada uma, mas é muito difícil falar de gozo feminino do modo como o encontramos na clínica, já que é definido como o que não pode ser dito. E na clínica não se trata de um dado, mas de uma noção com a qual se deve estar sintonizado (attuned to) e ser capaz de acomodar (accommodate). Isso é o que faz do analista, de fato, alguém que pode acomodar o gozo feminino e estar sintonizado com ele à medida em que isso emerge como resultado do esclarecimento das identificações que o obscurecem. Na doutrina lacaniana não se pode ser analista até que se tenha reconhecido este ponto em si mesmo, e em seguida, demonstrado isso através do Passe, por meio do qual o significante do Outro barrado e o correlato gozo feminino recebem sua sanção.

No entanto, vou falar menos sobre o gozo feminino do que sobre fenômenos gerais que se relacionam com as mulheres de hoje, sobre os quais eu leio e também observo na minha própria realidade psíquica, que é meu ambiente. Vou oferecer tais fenômenos a vocês, a fim de que corroborem ou não, conforme o caso. Não se trata, portanto, de paradigmas, mas de padrões que eu notei, e a particularidade destes só se manifesta na diferença que pode ser observada quando comparados a padrões de outras décadas.

Relacionada à questão da feminilidade, coloca-se, precisamente, a questão de como alguém pode ser universal em psicanálise. De certa maneira, quando se trata de universal, não se trata de psicanálise. Isso também inclui uma questão, a saber: se a mulher é uma categoria, coletivisável, e eu penso que não. Com Lacan sabemos que ninguém sabe o que é uma mulher e não podemos ter uma categoria que ninguém sabe como definir. Isso me levou a avançar e a questionar se as mulheres sequer existem, ainda daí o meu título “Nenhuma mulher no século 21”. Eu digo isso à luz do fato de que nós estamos partindo da premissa de que algo mudou no século 21, e que, o que antes era um termo usado pelo outro sexo – nomeadamente homens, para designar tudo o que não funciona na sociedade, no sexo e neles próprios, fazendo, assim, das mulheres, seu sintoma – agora não está ocupando tanto essa função, me parece. É como se cada vez menos pessoas se preocupassem com a diferença sexual.

Então é bastante diferente agora. Haveria ainda, de fato, o tradicional repúdio à feminilidade no trabalho, ou haveria, antes, alguma outra coisa no trabalho que não se refere ao significante mulher? A questão que estou colocando é se alguém ainda está interessado nas mulheres, incluindo as mulheres, porque eu diria que, de certa forma, você precisa do sexo oposto para fazer da mulher um sintoma, e este sexo oposto, os homens, que fazem um conjunto organizado pela exceção, este sexo também está em decadência. Nenhum homem no século 21.

Existem mulheres? Os seres falantes que se posicionam no lado do não-todo, no que diz respeito a seu gozo, esses seres falantes são mulheres? Não é o caso que só são mulheres se um outro chamar-lhes de mulher?

Minha ideia é a de que estamos caminhando em direção a um mundo no qual o significante mulher é um significante como qualquer outro, uma parte de lalangue e não de qualquer discurso comum. De forma parecida ao que acontece com o falo – que está perdendo seu poder e seu valor –, o significante mulher também está entrando em uma época na qual o fato de um dia ter sido um enigma com relação ao o que é uma mulher, agora é tão enigmático quanto qualquer outro substantivo abstrato. Isso significa que ele não é mais enigmático para muitas pessoas. Este é um efeito do declínio da função da castração. Quando o gozo decorre do fato de que a castração deixou um resto, o objeto a, este está doravante implicado na maneira singular como alguém goza, sendo que atualmente este plus de gozo está diretamente ligado à pulsão. Não há perda de gozo decorrente do fato de se estar na linguagem. Há agora um modo de gozo que não reconhece os limites da linguagem e este é o lado feminino da sexuação. Nenhum limite é reconhecido, apenas o limite do demais e do excesso.

E se o gozo feminino não é limitado por um objeto, mas infinito e constituído em relação ao Outro da linguagem, então é um gozo que tem proliferado nos últimos 10 anos. Tal gozo não está, de modo algum, ligado à população biologicamente feminina, como sabemos. É um gozo denominado feminino e que está se alastrando como fogo. Cada vez menos seres falantes parecem estar assolados pela falta de gozo em suas vidas. Isso tem consequências e manifestações específicas, consequências com relação ao modo como amamos ou se amamos, consequências para o conhecimento, consequências para o corpo e para a linguagem.

Um pequeno resumo muito conciso dessas consequências encontra-se em um discurso recente que Jacques Alain Miller fez diante do Senado francês como parte do debate sobre o casamento gay. Eu cito: "Cada menininha ou menininho tem que inventar sua maneira de imaginar, de se aproximar ou de fugir de seu próprio sexo ou do sexo do outro". Vou parafrasear o restante de sua fala: isso se dá porque há um buraco no programa de qualquer vida sexual tal como vivida por cada ser falante. Eles (os seres falantes) não podem viver suas vidas sem incessantemente interpretarem tal programa, devido a este buraco central, que diz respeito à relação sexual. O fato é que a linguagem não nomeia a coisa, pelo menos não de uma vez por todas, porque o gozo se intromete, mas nunca corretamente. Não havendo  programa, nenhum plano pode ser chamado de "natural" e nenhuma boa intenção se torna passível de organizar a existência – a não ser o elemento único que é o seu modo singular de gozar e que distingue você de todos os outros.

Então, inventamos nossa maneira de imaginar, de abordar ou de fugir do outro sexo. Esta é uma elaboração do que Lacan fala em Televisão.2 Parafraseio: A questão do amor, seja ela morosa ou divina, é traída naqueles jovens dedicados a relações sem repressão. Então, Lacan está se referindo a algo muito próprio daquela época, que era questionar a família pensada como paternalista e imaginar outra forma de fazê-la como se fosse possível se safar do impasse sexual. Lacan continua e afirma que o mito do "apagamento familiar" é uma necessidade, o que significa dizer que é um sintoma, um sintoma no sentido de haver algo ereto onde uma outra coisa não está funcionando ou não existe. Enquanto a ordem familiar se constitui como a tradução do fato de que o Pai não é o progenitor e de que a Mãe continua a ser a contaminadora da mulher para a prole do homem. A mãe contamina o que é da mulher no ser falante, que dá à luz os filhos de um homem.

Lacan prossegue e afirma que o sexo é tão impossível quanto sempre foi e que nenhuma utopia ideal de não repressão ou de sexo livre resolverá este problema, porque trata-se de um problema lógico, não baseado no inconsciente podendo ser solucionado até certo ponto. Mas Lacan se refere ao capitalismo, à estrutura social que se estabeleceu e que se sobrepôs à descoberta de Freud, e à tentativa fracassada de livrar o sexo da repressão por parte dos que eram jovens nos anos 60 e 70, que queriam criar alternativas para a família e para o modo como o sexo era veiculado. Quando se tenta liberar o sexo, provoca-se o efeito oposto você acaba com ele. O sexo volta à estaca zero, diz Lacan, e este foi o ponto de partida do capitalismo: livrar-se do sexo. Então, o destino da mulher e o destino do sexo estão correlacionados, ou é assim que leio Lacan nestas páginas de Televisão. 

A menos que você atribua um caráter positivista à questão e faça dela uma substância, a mulher, assim como o sexo, não passa de uma pergunta. Quando você tem uma substância, não sobra pergunta, e a coisa se torna sem sentido ou perversa. Desde a pergunta freudiana, "o que quer uma mulher?", destacada por Lacan, até a constatação de que não há representação da mulher no inconsciente a não ser como mãe – estamos no reino da ausência, do semblante. Por outro lado, temos o fato de que um homem se aproxima de uma mulher apenas como objeto parcial, como objeto a, ou como uma parte destacada do corpo, o fetiche, para nomeá-lo.

O que pode ser dito das mulheres no século 21, quando essa relação entre os sexos está perdendo qualquer suporte sintomático, sendo que este suporte sintomático é a única coisa que sustenta o semblante mulher. Eu penso que retrocede-se para uma questão de Zeitgeist, ainda que se os semblantes ainda operam oferecendo alguma sustentação. Este é um exercício que não corresponde à ideia de que a mulher só existe como singular. É uma tentativa de falar de mulheres no plural.

Gerard Wajcman fez uma boa tentativa neste sentido com a peça intitulada Tarantino's Girls3. Wajcman fala sobre paradigmas, opondo-os a categorias, e ele encontra mulheres paradigmáticas no cinema, especialmente por meio dos ícones das telas que particularizam algo de suas épocas: Marilyn Monroe nos anos 50, Brigitte Bardot nos anos 60, para citar dois exemplos de destaque. Mas o que distingue um paradigma de qualquer outra imagem famosa, bela, marcante? Eu acho que é o elemento transgressivo implícito no fato de que o gozo feminino – como aquilo que faz uma mulher específica ser paradigmática do “clima” da época – diz respeito a um gosto pelo que vai além daquilo que ela supostamente deveria simbolizar, nomeadamente uma versão de uma fantasia masculina. Ela é mais do que isso porque ela fala (no cinema as pessoas falam), e ela é mais do que uma mulher comum, porque ela é um objeto excessivo que transborda. O que impulsiona Marilyn ou Brigitte para um outro nível é o que nelas constitui o não-todo da função fálica. Este é o nível do excesso, do demasiado ou de uma alteridade com relação a si mesma, e de uma certa condição de falta de limites (limitlessness). 

Eu recomendo muito este texto do Wacjman a você, mas também espero que ele não esteja presente demais em sua mente, pois ainda vou parafrasear mais algumas ideias dele. A questão que Wajcman coloca é se as meninas, outrora objetos fetichizados dos homens, se tornaram, elas mesmas, fetichistas. Este parece ser o caso das garotas de Tarantino, que, tal como o criador, Quentin Tarantino, falam como bocas motorizadas. Enchentes de palavras equivalendo a enchentes de gozo. A abundância de palavras não tem outra função além do gozo inerente à fala, do gozo na linguagem como tal. 

Então, para as meninas de Tarantino, a fala está no lado da pulsão e não tanto no lado do amor. Por esse motivo, penso que o uso do termo "garotas" não é um acidente. Ao contrário dos ícones cinematográficos, mulheres muito voluptuosas, que estavam em um relacionamento com um homem, que deram voz à sua decepção, arrebatamento e decadência geral com palavras que falavam dessa relação com o Outro, as meninas em Deathproof o filme de Tarantino que Wacjman eleva à condição de ser capaz de retratar um paradigma do gozo feminino no século 21 não se relacionam com qualquer homem a não ser falando sobre eles e, particularmente, sobre como elas os usam. Isso faz delas meninas mais do que mulheres. Este discurso é menos relacionado a uma fantasia, para a qual Nora ou Hedda de Henrik Ibsen teriam sido paradigmas nos séculos 19 e 20, mulheres cujo gozo estava enlaçado a uma fantasia de aprisionamento e, em particular, à prisão da linguagem em relação a um corpo que estava explodindo para além de suas bordas.

Falar do século 21 significa dar-se conta de que a fantasia do século 19 que revestiu as mulheres de Flaubert ou de Ibsen não existe mais. As mulheres do século 21 estão menos sujeitas a uma fantasia que enquadraria, localizaria e pacificaria seus corpos; estão mais sujeitas à satisfação direta de suas pulsões, limitadas apenas pelo efeito mortífero da imagem que está ao redor delas.

Então, inspirada pelas observações de Wajcman sobre as garotas de Tarantino, às vezes, eu observo e escuto grupos de adolescentes – cruza-se com elas no ônibus e na rua, depois da escola – e me impressionou que quando eu comparo o estilo delas se divertirem e a conversa delas à da época em que eu era adolescente, bem, muito mudou. Não tenho a impressão de que essas garotas adolescentes prestem muita atenção aos meninos. Elas falam sobre meninos muito mas elas falam sobre eles de uma maneira em que não há qualquer preocupação real com eles. Como Wajcman colocou: o homem, parecido com um objeto como o carro fetichizado no filme Deathproof, não é nada além do equivalente exato a um brinquedo sexual. Estamos falando de um tipo de fetichismo diferente, do fetichismo capitalista de consumo, e não do fetichismo que vela o buraco. Nessas jovens e geralmente barulhentas bocas motorizadas das garotas adolescentes, há mais papo do que ação, e não há preocupação em buscar o encontro com o objeto de suas tagarelices. Isto seria precisamente um encontro com a castração e com uma perda de gozo, e há pouco incentivo para experimentar isso.

Em nossos tempos, tomando as garotas de Tarantino e as adolescentes de Londres como exemplos, não há evidência do que se costumava passar como inveja do pênis, a qual estava imbuída da ideia de "não ter". Não ter não é mais uma questão, já foi resolvida com o gadget e com a imagem (só que não, obviamente). Como consequência, tem lugar o pouco velamento (veiling), já que o fetiche não é mais um objeto derivado da tentativa de velar o que não existe, o falo da mãe. Em vez disso, há um gosto pelo desvelamento (unveiling) e pelo real tal como vemos na proliferação de reality shows e de esportes radicais, atestando, em ambos os casos, a prevalência da experiência em detrimento da sublimação. A experiência é, portanto, uma palavra que caracteriza o acesso direto a um objeto de consumo. A causa do desejo é obliterada.

Voltando às previsões de Lacan ou melhor, à sua leitura das estruturas contemporâneas que estão tomando conta da sociedade –, o capitalismo e seu incessante comando de gozo buscam, como ponto de partida, eliminar o sexo. Nós temos que parar aqui e perguntar como, por que você pode se livrar do sexo? Eu penso que vemos o efeito hoje. As adolescentes mencionadas acima, aquelas pobres adolescentes britânicas que carregam o fardo do excesso capitalista, aprendem na escola sobre tudo o que o mercado já jogou sobre elas sem qualquer preocupação com a sua proteção ou felicidade. Em um projeto perverso, os excessos do mercado são aumentados exponencialmente, ensinando-se, para as crianças sobre os perigos deste excesso, o que não faz senão sancioná-lo. Elas são, então, instruídas sobre os “perigos da internet”. Há aulas especiais dedicadas a todos os males do mundo. Psicólogos educacionais bons ​​e não tão bons são contratados pela escola, de forma extra curricular e curricular, para ensinar nossos filhos sobre pornografia, mas também sobre suas consequências  embora não sejam reconhecidos, com isso, a depressão, a anorexia, a automutilação e a agressão sexual, para citar apenas alguns exemplos. O apetite feroz do mercado cria e prolifera seus próprios sintomas, responde com uma nova indústria maciça, a da saúde mental, e segue em frente doutrinando os jovens.

"Nenhuma repressão" tornou-se a norma, não como um ideal de quando novas estruturas familiares estavam sendo negociadas em nome do "amor livre", na década de 60, mas como forma de eliminar o sexo. Um colunista do The Guardian escreveu que as pessoas hoje fazem sexo agendado e freneticamente pressionado, pois estão sempre capturadas por alguma demanda externa que diz respeito às suas intimidades ou que é de alguma outra ordem frequentemente estão em um ciclo de Fertilização In Vitro ou tomados por alguma outra forma de se instrumentalizar o que antes passava por "fazer amor". E no texto Televisão, Lacan prevê ainda outras coisas que vemos tomar forma em nosso mundo atual. A imagem, tão importante para a perversão quanto para o capitalismo, entendida como aquilo que observamos e que atravessa nossos sentidos, não levará a novas formas de amor. Mas Deus, Deus é algo para o qual estamos retornando. Bem... Deus... O outro lado do gozo feminino, é outro assunto.

O "empuxo-à-mulher" psicótico pode ser observado em grande parte da cultura popular e de seus derivados – o que costumava ser chamado de subcultura. Seria este o destino d’A mulher: feita para existir? Eu indico a vocês o grupo pop CocoRosie ou Antony and the Johnsons, cujas músicas eu gosto muito, estando inteiramente dedicadas à questão d’A mulher, que não existe. CocoRosie são irmãs cujas letras e música são suaves e de outro mundo. Elas cantam sobre espíritos e deus e imagens extravagantes que envolvem sentimentos de contos de fadas. Além disso, ambas ostentam barbas em fotos, nas capas de seus discos e em seus vídeos. Mas nada aparece aqui que se assemelhe à questão histérica. Há, antes, uma expressão totalmente única de gênero fluido e de identificação sexual fluida. Antony and the Johnsons canta sobre como se tornar uma bela mulher e sobre outra promessa espiritual, no além. É uma preocupação que diz respeito a uma obliteração da divisão entre a mãe e a mulher, e um deus que fará dele uma mulher.

Assim, nossas garotas adolescentes padecem, por um lado, dos efeitos da perversão generalizada sem novas formas de amor, com o capitalismo eliminando o sexo e, por outro lado, elas escutam músicas que resistem ao ataque consumista com respostas perfeitamente singulares que não reconhecem qualquer fator comum no sexo ou na diferença sexual. À luz dessas observações sobre a cultura de hoje, ainda existem mulheres no século 21? 

LCEXPRESS 28/05/2013



Tradução: Júlia de Sena Machado


Notas finais:

1 Charraud, Nathalie; Cantor com Lacan (1) em Cadernos psicanalíticos, edição 3, 1999, sem impressão. Originalmente publicado em francês em La Cause freudienne, edição 38, 1998.

2   Lacan, Jacques; Televisão, traduções: Hollier, Krauss, Michelson, ed: Copjec, J., Norton, Londres 1990, pp. 30-31.

3 Wajcman, Gerard; Tarantino's Girls, em Lacanian Ink, edição 37, 2011


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